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Mecânico paranaense que perdeu a visão na infância usa tato, audição e tecnologia para consertar carros

O mecânico de 34 anos perdeu completamente a visão aos nove, depois de um descolamento de retina. Agora, para consertar os carros, ele conta com a ajuda do tato, da audição e da tecnologia.

Há quatro anos, Patrick tem uma oficina que funciona na garagem de casa. O negócio começou durante a pandemia da Covid-19, quando ele teve que largar o trabalho como músico e se aventurar em outra profissão. Escolheu a mecânica, que também foi ofício do avô.

Diagnosticar um defeito, manusear ferramentas e consertar peças são atividades rotineiras de um mecânico. Para executar todas elas, a maioria dos profissionais confia muito na própria visão. Mas, para Patrick Liaschi Marçal, de Cornélio Procópio, no norte do Paraná, são outros sentidos que guiam o trabalho.

Para executar os trabalhos, ele desenvolveu um método: começa identificando toda a estrutura do veículo, para se familiarizar com as peças. Depois, cria uma espécie de mapa mental para se orientar durante o conserto.

“Como eu não tenho mais a visão, as minhas mãos e meus ouvidos funcionam de ferramenta. […] Eu precisei desenvolver alguns métodos para me desenrolar sozinho. Na parte de baixo,eu tenho a caixa do radiador, na parte do meio eu tenho o cabeçote e em cima eu tenho a parte de sensores ou cilindro do freio e bateria. Então, na minha cabeça funciona como se estivesse desenhando um quadro”, explica.

Patrick também usa uma espécie de scanner com acessibilidade para ajudá-lo a identificar problemas no carro.

Patrick Marçal perdeu a visão durante a infância e hoje conta com o tato e audição para trabalhar como mecânico. — Foto: Reprodução/RPC

O apoio para abrir o negócio veio da esposa, Bianca Costa Batista Liaschi. Quando o marido quis mudar de profissão, ela foi a primeira a incentivá-lo.

“A primeira coisa que eu falei para ele foi: Por que não? […] Eu não sabia o significado da palavra resiliência até casar com ele”, disse Bianca.

Patrick também teve a ideia de levar o trabalho para as redes sociais. No Instagram, ele compartilha a rotina da oficina com mais de 94 mil seguidores.

Cliente virou amigo e parceiro de trabalho

Leomir Silva dos Santos começou como cliente de Patrick. A satisfação pelo trabalho desempenhado pelo profissional foi tanta que os dois viraram amigos. Atualmente, Leomir é quem auxilia o mecânico na oficina.

“Eu sou muito chato em relação a carro. Para mim não tem essa de ficar variando mecânico. Daí eu trouxe para ele uma vez, ele resolveu meu problema. Acabou que, todas as vezes que precisava de alguma coisa, eu trazia aqui. […] Um dia, tinha uma moto aqui para fazer a parte elétrica. Aí, como eu mexo com essa parte, eu passei a auxiliar ele em uma coisa ou outra”, diz Leomir.

Quem também é cliente “das antigas” é Thiago Nicolau Lira. Ele conheceu Patrick quando o mecânico ainda trabalhava na calçada da casa dos pais.(com g1 Parana)

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