Vídeos obtidos pela investigação referente a policiais rodoviarios estaduais supeitos de cobrar dinheiro de motoristas para evitar multas no Paraná mostram o esquema em ação.
Em um deles, é possível ver que o agente público aborda um caminhoneiro e, após conversar com ele, pega o próprio celular e abre um QR code. Na sequência, o caminhoneiro abre um aplicativo de banco, os celulares são aproximados, e após o motorista mostrar a tela do próprio celular ao policial, é liberado da blitz.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná (MP-PR), que foi responsável pelas investigações, o QR code para pagamento em Pix era oferecido aos motoristas quando eles afirmavam não ter dinheiro em espécie para pagar a propina.
O Gaeco também descobriu que em trechos das rodovias onde não havia área de celular, os policiais ofereciam a internet do próprio celular e/ou o wi-fi do posto do batalhão da polícia para os motoristas efetuarem o pagamento.
Segundo o órgão, pelo menos 100 vítimas foram identificadas durante as investigações, sendo que a maior parte são caminhoneiros.
“Ele pediu dinheiro para mim. Eu falei: ‘Eu não tenho’. Aí ele falou: ‘Então você faz pelo menos um Pix, senão eu vou te multar’. E a multa era pesada! Aí eu peguei e fiz, e fui embora. Se não, ele disse que podia até me prender o caminhão”, disse uma das vítimas, em depoimento.
Nesta terça-feira (7), os policiais suspeitos foram alvos de duas operações do gaeco. No total, 10 policiais das regiões de Ponta Grossa e Guaraniaçu foram afastados da função, e um da região de Guarapuava foi preso. Durante a ação, também foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão.
Os nomes dos suspeitos não foram oficialmente revelados.
Em nota, a Polícia Militar do Paraná afirmou que “a corregedoria-geral acompanha todas as diligências de forma presencial, assegurando a transparência e a legalidade dos procedimentos”.(com g1)





